A instalação de câmeras dentro do banheiro do Colégio Estadual Ubedulha de
Oliveira, no Conjunto Luiz de Sá, zona norte de Londrina, está gerando uma
polêmica. A maioria dos participantes do conselho formado por pais e professores
votou a favor do equipamento de segurança, mas a mãe de um aluno e estudante da
instituição, Elaine Bergamin, está questionado a falta de privacidade."Hoje, a gente está exposta aos hackers, ninguém está seguro, imagina uma
criança, um pedófilo consegue pegar essas imagens, imagina como vão ficar essas
crianças. É constrangedor", defendeu à TV Coroados.
As câmeras foram aprovadas por unanimidade em uma reunião com cerca de 200
pessoas, mas diante das críticas uma outra votação foi chamada. No novo
encontro, mais uma vez a maioria votou pela manutenção do equipamento dentro do
banheiro, a única voz dissonante foi de Elaine.
Na manhã desta segunda-feira (4), o diretor do Colégio Ubedulha de Oliveira
preferiu não se manifestar à reportagem de odiario.com. Ele
afirmou que uma terceira reunião sobre as câmeras deve ser convocada para esta
semana e que só irá comentar o fato após o compromisso.
À TV Coroados, ele defendeu o uso das câmeras para evitar atos de vandalismo
e coibir o uso de drogas. "Nós temos um alto índice de violência e indisciplina
também dentro dos banheiros. Tudo o que a gente coloca lá, eles quebram. A gente
tem recebido denúncias de que alunos fumam drogas dentro do banheiro, os maiores
batem nos menores", colocou.
A visão do Núcleo
A chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, Lúcia Cortez,
acredita que essa é uma discussão que deva ser resolvida dentro do colégio pelo
conselho de pais e mestres. Ela defende que é uma oportunidade para debater o
papel das câmeras, objetos que vêm se tornando cada vez mais comuns dentro dos
estabelecimentos.
"O conselho escolar tem a representatividade de todos da comunidade. Ele foi
consultado e concordou com as câmeras, a escola precisa ter mantida sua
autonomia. As câmeras hoje estão em todo lugar, nos prédios, elevadores, é uma
questão de segurança e de controle. A escola é um lugar com um trânsito muito
grande, desde dos menores aos maiores", comentou.
Lúcia Cortez argumentou que as políticas sobre o uso de equipamentos
eletrônicos, como câmeras e celulares, devem ficar a cargo dos colégios. Em
Maringá (96 km de Londrina) já surge uma outra vertente. O NRE da cidade, que
cuida de 25 municípios, vai regimentar o uso de telefones celulares, coibindo
sua utilização nas salas de aula.
"Essa política não é uma coisa que deve vir de cima para baixo, o Núcleo não
tem que ficar disseminando. Eu acho que temas assim devem ser discutidos dentro
das comunidades, com a participação popular. Até hoje as nossas escolas têm
feito dessa maneira, com o conselho escolar, e tem dado conta de resolver. Essa
questão das câmeras foi a primeira e acho que é importante até para a comunidade
repensar sua participação", declarou.
Outra polêmica
Em fevereiro, uma outra polêmica veio à tona. No Colégio Estadual Vicente
Rijo, no Centro de Londrina, alunos homossexuais ganharam um banheiro
exclusivo.
"Optamos por um banheiro que já temos nas bibliotecas. Não foi construído um.
Esse era pouco usado, só por funcionários. Não que fosse especial, mas apenas
para que eles se sentissem mais à vontade", comentou à época o diretor da
instituição, Donizete Brandino.
Ele defendeu que a medida não era discriminatória, mas que acatava um pedido
dos próprios estudantes homossexuais que não se sentiam confortáveis em utilizar
nem os banheiros masculinos e nem os femininos.Pauline/O Diario